domingo, 21 de maio de 2017

Pedaços

Imagem retirada da internet





Pensei que depois de certa idade eu transbordaria, que tudo ia ser sobra e rebarbas de todo o exagero que só uma canceriana consegue sentir em toda a sua juventude...
Acontece que não... Pelo contrário.
Depois de tanta fome, tanto tesão... Me sobra um vazio imenso.
Uma falta de mim mesma, um pedaço da alma que não sei se perdi ou se nunca tive... Mesmo depois de tanta cicatriz,de tanto corte fundo (estes que jurava que fariam parte de mim). Hoje me sinto flutuando, papel em branco, sem vontade, sem ousadia. Parece que fui e me deixei aqui, corpo ,gozo e lembrança.
Não estou, não acredito e não sinto.
Assim mesmo sem destino algum. No mar a deriva.
E aí não consigo mais nem perder, não consigo sentir e nem inspirar.

O que restou? Onde estou? Do que preciso?


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Depois de tanto tempo...

Depois de dois anos sem mexer nas coisas velhas, sem andar nas ruas erradas, sem reabrir feridas, sem chorar mágoas, VOCÊ me aparece de novo. Não pedi pra sair, nem revirei minha vida pra ter que te rever de novo.

Minha vida já não é mais a mesma, mudou num nível que nem mesmo um filme, um livro dariam conta de explicar e você me aparece agora pra reavivar coisas que deixei pra trás, pra me lembrar de gostos, cheiros e sensações que preciso mais. 

Há dois anos atrás minha cor era outra, minhas vontades falavam mais alto que qualquer outro desejo racional que pudesse ter. E acho que nem tinha desejos racionais, eu era só desejo, só luxúria. Você não poderia ter voltado agora que estou num mar de calmaria, num jardim em que só a brisa passa. Não digo que tudo são flores, não isso mesmo, mas comparado a antes eu estou muito bem. Muito melhor...  Não era pra te rever agora. Agora que minha aventuras são passadas nas tarde de sol e não mais nas madrugadas ardentes ou decadentes de antes. Não tenho mais histórias dramáticas pra te contar meu amigo, apenas anedotas sobre o conserto do microondas ou aquela vez que no banco...Nada mais de emoções ardente como antes, agora, são apenas aventuras cotidianamente normais..Quem sabe daqui a alguns anos tem encontre novamente e tenha outros humores e outras cores.. mas por enquanto ta tudo assim, meio azul, meio cinza...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

3 vivas para o FODA-SE


Aos 20 a gente luta bravamente ,com lindos textos e palavras tocantes por todos aqueles que nomeamos amigos.

Aos 30 a gente percebe que nem todo mundo precisa ficar pra sempre. E que nem todo mundo vale esforço, um textão, uma tristeza no coração.

Se não vale a pena, a gente simplesmente deixa ir.

Não faz sentido se desgastar e ficar triste por quem não vê sentido em se esforçar por vc, quem te deixa triste e acha que ta tudo bem, que  sabe que te magoou e mesmo assim está com a "consciência tranquila".


Deixe ir. Porque tem hora que argumentar cansa, que tentar entender e perdoar fica fora de questão. Então acaba uma amizade assim, na merda, sem respeito, sem jeito, sem gosto.

O resto a gente responde com silêncio.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

De trinta em diante

Dia desses senti que de fato estou beirando os 30. Isso pode parecer um pouco louco pra quem sempre achou que viveria nos eternos 20 anos. Mas o fato é que a idade passa para todos e comigo não haveria de ser diferente. Embora haja todo um discurso florido de que devemos aceitar nossa idade, de que ela é linda assim como nossos 19, 20 anos, isso tudo é muito penoso de se aceitar. Há toda uma engenharia mental envolta disso para que haja um processo de aceitação da sua idade mas isso não é fácil. E esse processo se torna muito mais engenhoso se partirmos do princípio que vivemos numa sociedade de hipervalorização da juventude e de um processo de degradação da imagem de quem vê seus 20 anos cada dia mais distantes no seu retrovisor. Consequentemente temos pessoas que já passaram dos seus 20 há uns 20 anos tentando se portar como quando ainda morava com seus pais ou ainda no seu tempo de faculdade. Se vestem, usam gírias, comem, se apropriam de uma cultura restrita aquela faixa de idade para se sentirem bem e acabam se transformando num personagem desfigurado, muitas vezes amorfo com feições de um novo sem cor, empoeirado, triste e decadente. E o pior é quando no final do dia vem aquele sentimento reprimido lá no fundo dizendo “realmente estou ficando velho” e isso destrói a vida de qualquer ser.
Não os culpo por isso, a cobrança pela cultura da juventude é latente. A questão do fetiche relacionado a estética jovem é algo muito gritante. Na televisão, nos outdoors, nas rodas de conversas... Tudo isso é colocado como objetivo a ser atingido: a Juventude eterna, e que me coloca diante de uma questão importante: Será que envelhecer é tão ruim assim?
Bom, eu ainda estou chegando aos trinta, não pertenço cronologicamente a esse time, embora me sinta parte dele em alguns aspectos relacionados a valores, e posso dizer que envelhecer também é lindo! E ouso dizer que muitas vezes é mais interessante do que a juventude. A vida passa a desacelerar, o punk rock vira uma bossa-nova e todo e qualquer problema passa a ser diluído com maior sapiência e clareza.
Deitado na cama analisamos muitas vezes as paranoias que tínhamos enquanto jovem e vem um sorriso de canto de boca dizendo “como eu era tonto”. Vemos jovens com problemas com um namoro que a solução é simples pra gente e apenas nos vem mentalmente um “pra que isso tudo, meu jovem?”. Passamos a falar menos e a pensar mais. Passamos a analisar a vida com uma visão da posição de uma águia sobrevoando sua área e não de formiga atolada de trabalho que não consegue olhar para frente. Não nos desgastamos com coisas que são inúteis, e o melhor, sabemos distinguir o que é útil e o que não é. A vida soa tão tranquila que pra quem descobre a maravilha do envelhecer, que isso acaba se tornando um novo fetiche.
Repito, ainda não cheguei aos 30 mas já sinto um pouco do gostinho maduro e marasmático da fruta do envelhecer. Também não estou livre do fetiche da juventude pois nada melhor do que ter o vigor juvenil saltando os poros, do mundo brilhando aos olhos de tanta inocência, da vontade de fazer de tudo para melhorar o seu entorno, isso também é lindo, mas envelhecer é essencial para que façamos um mundo com mais sentido. Ser Jovem é resolver um problema mas arrumar outro. É como dormir com uma coberta curta, se cubro a cabeça descubro os pés. Já envelhecer é pensar que com essa mesma coberta eu consigo me cobrir por completo, ou consigo conviver com uma das partes do corpo desnuda com uma harmonia esplêndida.
Levantar de manhã após uma balada e não conseguir desempenhar as mesmas atividades com o mesmo vigor e necessitar de um tempo para tanto é algo triste de fato. Ver que nem tudo tem solução como acreditávamos nos idos 17, 18 anos também é doloroso, deixar algumas chamas se apagarem por saber que não tem sentido elas continuarem acesa é algo complicado, mas necessário. Precisamos saber que a vida é um eterno fluxo de vai e vem de virtudes. Ganhamos algumas no mesmo instante que perdemos outras e é isso que precisamos trabalhar ao longo da vida. A chegada da velhice é se importar mais com a essência e menos com a forma, se importar mais com o que é invisível aos olhos, ver a beleza das coisas com os olhos da alma. É sentar numa cadeira de praia e contemplar a beleza do mar em vez de pular de cabeça nele.
O que é mais belo disso tudo é que esse texto que escrevo hoje pode ser revisto amanhã por mim e com um sorriso de canto de boca ser dito: “como eu era tonto”.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Um frio qualquer de junho

Nesse instante eu gostaria de estar ao pé do seu ouvido falando coisas que só dizem respeito a nós dois e a mais ninguém. Do nosso mundo, do “Sacro por ser nosso”, de coisas que só você vai rir e/ou entender. Rir com esses dentes e esses olhos que me põem em devaneios constantes. Gostaria de estar agarradinho a você sem falar nada, só sentindo seu corpo, com você puxando, com suas pernas, as minhas, puxando, com suas mãos, os meus braços e com voz de preguiça me dizendo “me abraça, tô com frio” e eu, sem poder, e muito menos querer negar, me entrego e mergulho em seu corpo, para me perder em meio a seus seios, me embrenhar em seus cabelos, e caminhar sobre suas ideias, seus anseios dos quais muitos já sei pois em quase nada destoamos.
Queria, nesse instante, o som do seu sorriso, o seu olhar despretensioso, os seus trejeitos, o modo como mexe em seus cabelos... Queria tudo isso, mas queria só pra mim, sim, só pra mim. No que dependesse do meu gosto ficaria dias na cama contigo, com minhas mãos percorrendo seu corpo, sentido por completo cada arrepio, cada respirar,cada sensação que por ventura passassem por ele e após cada mexer-se seu na cama acabar por velar seu sono lhe beijando a nuca.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre ser mãe



Acho que naquele momento em que a gente pensa "ah, que legal, né, acho que já da pra gente ter um filho, que tal?"...
Nesse momento, tipo, podia descer um ser assim, sei la, tipo Metatron a voz de Deus , te perguntando "Sério, cara? É isso MESMO o que vc quer?", "ah sim, olha que fofo aquele bebê!"...
Dai ele manda um "Meu, saca aquele 'vc só vai entender quando tiver o seu' que tua mãe soltou umas 300 vezes ao longo da vida? É, então, aquele 'cê só vai entender quando tiver o seu' é o prato frio de toda mãe, é o último ataque psicótico dela pelas um trilhão de noites mal dormidas... 

Vai ter sorrisinho fofo sim, mas vc vai pirar a ponto de querer jogar o liquidificador que o vizinho usa as 7 da manhã de presente pra Yemanjá. Vai ter sonzinho cuti cuti sim, mas cê vai querer escrever um email pro governador perguntando qual a necessidade de soltar ônibus tão barulhento as 5 da manhã. Vai ter biquinho engraçadinho, mas cê vai querer jogar um paralelepipedo do quinto andar no carro com alarme disparado la na rua as 3 da manhã. Vai ter abraço gostoso, mas cê vai ficar psicótica a ponto de ir conferir quantos anos de cadeia pode dar se vc sufocar o pai da criança que dorme pesadamente do seu lado, enquanto seu filho parece que usou cocaína várias vezes seguidas. Vai ter os primeiros passinhos, mas cê vai conhecer teu lado mais sombrio que o capeta, minha amiga! "

E junto disso, podia vir tipo um filminho mostrando que mãe não sonha, não chega mais de dez segundos nesse estágio, já que quando começa a sonhar vem a fralda mais cheia de cocô que vaza até o pescoço e a criatura precisa de banho. Flashs mostrando que vc fica em dúvida entre comer, tomar banho, escovar os dentes ou DORMIR e quando o dormir vence, é claro, vc não consegue pq o bebê ta sem sono.Outros flashs mostrando que além de ter que abdicar da sua vida social até se reorganizar a nova vida, vc tb tem que abrir mão dos prazeres da gula, pq tudo dá cólica no bebê, e vai por mim, vc não quer vê-lo com cólica primeiro pq dá dó e vc não sabe muito o que fazer e segundo pq pode durar uma noite toda e vc nunca soube, no meio da tua balada mais chata, o quanto a noite podia ser looooooonga e tensa.
E tem também aquela cena em que o bebê finalmente dorme e vc vai colocá-lo no berço e imediatamente depois de vc se deitar em seguida, vc escuta o gritinho mais agudo do universo que parece que vc o emfiou na estaca em vez de por no berço sem querer..... e essa cena se repete seguidamente numa mesma noite por umas 17 vezes até vc ultrapassar o limite da sua sanidade.
Dai cê vai ler nos grupos maternos do fb, com quanto tempo mais ou menos os bebês começam a dormir mais, e no auge da sua dor de cabeça, vc aperta os olhos contra a tela e vai lendo uma mãe atrás da outra te dar estimativas que chegam até os 7 anos de idade... é minha amiga, maternidade não tem nada de hollywood não!
Mas... porém, entretanto, todavia... é bem verdade que não ha como descrever o sentimento de pegar esse pedacinho seu logo que nasce, o sentimento de ficar assitindo, velando o sono ou observando cada traço do rostinho, as mãozinhas, os pézinhos.
Não existe alegria maior que ouvir a primeira gargalhada ou de ver como o bebê te olha nos olhos, como se vc fosse a melhor pessoa do universo, de como saber que ele ama muito seu colo, seu carinho...
São tantas as alegrias, pequenas e grandes. Uma bela de uma cagda por exemplo pode virar uma gargalhada no chuveiro... uma noite de insônia nunca vai ser solitária, essas e outras coisas que só quem resolveu encarar a maternidade é que vai saber....
Afinal " vc só vai entender quando tiver o seu filho!" <3 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ainda



Muitos anos lavaram sua alma, muita água rolou e lapidou, endureceu, desbotou. As pessoas em volta eram outras, a casa tinha outro endereço, os caminhos mudaram completamente, tinha passaporte com visto pro Japão, formou família, comprou uma bicicleta, se afastou do facebook, organizava listas de supermercado, não tinha mais tempo para os antigos hobbys, suas caixas de cartas e lembranças tinham ido pro lixo, alguém se desfez da coleção de garrafas e mal teve tempo de ficar brava por isso, onda após onda, não se lembrava muito bem nem das músicas velhas, nada mais lhe servia: nem roupas, nem sorrisos, nem sapatos, nem mesmo nomes. Nada, era inteiramente outra, engolida pelo mesmo, camuflada na rotina, nos planos comuns, na vida que seguiu.
Ou quase inteiramente.
Em uma madrugada sem sono, depois de por o bebê pra dormir, escutou bem baixinho algo batendo, guardado, mas vivo ainda. Parecia um coração...
"Será que ainda lhe servia?"
Claro que não, sabia muito bem que a vida gostava de pregar peças e essa era só mais uma, gostaria de acreditar que sim, que teria sua chance de confrontar, que ali naquele ponto da cidade alguém se lembrava também, mas não. Sabia que não, não serviria nunca mais, tinha ficado velho, empoeirado, não valia nem a pena tirar de onde estava guardado.
O problema é que batia sim, la no fundo, escondido, guardado, jogado, batia sozinho e era tanta lembrança nessas batidas que ainda fazia doer, se ela parasse pra ouvir (o que nunca era o caso).
Ainda tinha guardado o olhar, as frases marcantes, o beijo, as noites dançantes, como também ainda tinha guardado o gosto amargo do engano, do arrependimento, de tudo desandando, da nausea, o mundo girando, o peito apertado e o coração como uma semente de girassol que nunca mais floresceu outra vez.
Ainda sentia tudo isso e continuava assim, sem valer a pena.
Por isso era mais fácil voltar pro meio do tsunami da vida nova, aquela que segue: casa nova, filhos, contas, visto pro Japão, trabalho...

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